Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10400.24/60
Título: Por feiras e romarias. Entre Douro e Minho a meados do século XVIII (Ponte de Lima/Arcos de Valdevez)
Autor: OLIVEIRA, Aurélio de
Palavras-chave: Tradição; festas populares;
Data: 2010
Editora: Edições ISMAI e CEDTUR-Edita
Citação: Dinâmicas de Rede no Turismo Cultural e Religioso. Maia: Edições ISMAI, 2010, vol. II, p. 277-293.
Resumo: Praticamente, todos os actuais centros de romarias ou grandes feiras (que muitas vezes coincidem nos mesmos dias e nas mesmas terras) e que hoje se procuram integrar no chamado turismo religioso (ou simplesmente no roteiro turístico), têm geralmente um passado longínquo. Alguns desses locais mantiveram até à actualidade a sua existência ainda que outros se tenham perdido e mesmo apagado, relegados para meras referências e vivências paroquiais. A evolução da religiosidade entre as gentes e do sentimento religioso e devocional, muito para isso contribuiu sendo seguro que a secularização verificada por todo o lado e também pelo Entre Douro e Minho particularmente acentuada, sobretudo, com a segunda metade do século XVIII, também muito para isso veio a contribuir. Os locais e centros de romagem e festa foram no passado a quase única oportunidade de folguedos, verdadeira catarsis para a vida penosa do quotidiano e, por isso, tiveram nesse passado, uma presença e uma importância muito mais activa e importante do que na actualidade, em que as oportunidades de diversão e de ocupação dos tempos livres (conceito e realidade que no passado nem sequer existiam) têm outra dimensão tal como os momentos e circunstâncias do dirimir de conflitos e tensões sociais se transportaram (ou se tendem a transportar) para outros cenários e outros parâmetros. Procura-se hoje, perante a realidade económica e do que representa o Turismo, reabilitar, reactivar e reconstituir esses locais integrando-os, de plena actualidade, com aqueles que, porventura, se apagaram e que hoje dentro dessa mesma realidade da fruição turística, todos procuram activar conscientes da importância económica e social de quem procura e de quem pode oferecer ou propor esses itinerários, agora, dentro de uma perspectiva histórico-cultural integrando economia, cultura e sociedade. Também como factor de desenvolvimento, em algumas circunstâncias de efectiva subsistência, de muitas comunidades, que vêm perdendo aceleradamente a importância das suas actividades tradicionais, essencialmente ligadas ao sector primário e, às vezes, também, diga-se, ao secundário por modesto que tenha sido. Aqui, a arqueologia industrial, tem prestado inestimáveis contributos. Têm-se explorado, pois, nos últimos tempos, esta vertente do Turismo religioso e histórico-cultural, que teve em Braga ou a partir de Braga iniciativa pioneira com a criação da Turel – Turismo Cultural e Religioso de iniciativa do Rev.do Cónego Eduardo Melo Peixoto a quem, com esta modesta intervenção, se presta homenagem. Por outro lado, a generalidade destes centros, Ermidas, Capelas ou Santuários implantaram-se em locais de inegável beleza física. A fruição panorâmica, hoje também, um quesito indispensável ou apetecível para a fruição turística do território e da paisagem. Nos tempos passados não teve essencialmente essa principal preocupação, ainda que ela tivesse vindo a avultar entre as exigências do Viajante (ou turista) da altura que percorria o território ou certas regiões desse território. O Século XIX com a corrente do Romantismo marca, neste aspecto, uma etapa importante, levando a paisagem para dentro da própria obra literária. A fruição física e anímica da paisagem, de certos locais (destes locais do religioso) foi intencionalmente buscada e procurada. Como exemplo, dos estrangeiros, cite-se por todos, W. Beckford ou Lady Jackson e dos nacionais, Camilo (com as suas romagens ao Bom Jesus do Monte). Seria, porém, imprudente negar por completo ao romeiro de antanho (a sua diversidade era, aliás, muito grande), essa vertente. O impacto, o lenitivo, a sublimação que o enlevo físico sempre representava face ao cansaço da “paisagem” do quotidiano estiveram sempre naturalmente presentes. Sempre, seguramente, mais um pretexto de louvar e enaltecer o Criador. Todavia, a enorme simbologia das alturas (das montanhas e colinas, como do lugar ermo e deserto) era sem, dúvida, o apelativo principal do romeiro e devoto de então. (E este aspecto não se perdeu no romeiro, hoje seja ele crente, seja ateu o incrédulo. (Mais uma vez, se pode remeter para Camilo). É nossa intenção fazer uma reconstituição histórica dos centros devocionais de romagem (como das feiras coincidentes) para o conjunto da Província do Entre Douro e Minho a meados do Século XVIII, dando conta do que persiste ou se reforçou e do que se perdeu e apagou. Conhecer ou reviver (e aproveitar) a realidade histórica e socio-cultural daqueles tempos (como até da sua importância económica no seio das sociedades locais quando, por ventura, tenham coincidido com as feiras ou grandes feiras anuais, a que alguns centros de romagem deram origem ou alimentaram), constitui hoje uma dimensão importante. Dada largueza desse projecto de trabalho, ficar-nos-emos, aqui, pela realidade concelhia de Ponte do Lima e dos Arcos e Valdevez.
URI: http://hdl.handle.net/10400.24/60
ISSN: 978-972-9048-47-0
Aparece nas colecções:Textos em volumes de atas de encontros científicos nacionais e internacionais [2]

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